Ter pai ou mãe portuguesa não garante o direito a nacionalidade portuguesa, mas em muitas vezes permite o reconhecimento da cidadania portuguesa para filhos nascidos fora de Portugal.
Essa é uma das principais formas de concessão da nacionalidade portuguesa. Mas dizer apenas “meu pai é português” não é suficiente para entender o processo: é preciso analisar como a nacionalidade do genitor foi reconhecida, como a filiação aparece nos documentos e qual modalidade se aplica ao caso.
Em 2026, tivemos mudanças introduzidas pela Lei Orgânica n.º 1/2026, em vigor desde 19 de maio. Mas a modalidade destinada a filhos de portugueses nascidos no estrangeiro continua prevista, e quem cumpre os requisitos pode ser reconhecido como português.

Conteúdo
- Quem tem direito à cidadania portuguesa como filho?
- Meu pai ou minha mãe nasceu em Portugal. Posso pedir?
- E se meu pai ou minha mãe não nasceu em Portugal, mas também é português?
- Meu pai ou minha mãe tirou a cidadania depois que eu nasci. Tenho direito?
- Filho de português tem limite de idade?
- O português precisa ter declarado o nascimento do filho?
- Precisa transcrever o casamento do português?
- O que mudou na cidadania portuguesa para filhos em 2026?
- Quais documentos são necessários?
- Quanto custa a cidadania portuguesa para filhos em 2026?
- Quanto tempo demora?
- Preciso morar em Portugal para pedir como filho?
- Como começar?
- Perguntas frequentes sobre cidadania portuguesa para filhos
Quem tem direito à cidadania portuguesa como filho?
A Lei da Nacionalidade prevê a concessão da nacionalidade portuguesa a filhos de mãe portuguesa ou pai português nascidos no estrangeiro.
Na estrutura mais simples:
pai ou mãe portuguesa → filho ou filha
Em geral, essa modalidade considera três elementos:
- nascimento fora de Portugal;
- pai ou mãe com nacionalidade portuguesa;
- declaração de vontade de ser português.
Porém existem modalidades de pedidos diferentes, que devem ser observados de acordo com a forma que a cidadania portuguesa do pai ou da mãe tenha sido concedida.
Se trata-se de uma cidadania por direito de sangue, para descendente, é considerada nacionalidade atribuída. Independente de quando tenha sido reconhecida, é válida desde o nascimento e pode ser transmitida tanto para filhos menores, quanto para filhos maiores.
Se for uma cidadania por direito adquirido, concedida para residentes e cônjuges, por exemplo, é considerada nacionalidade derivada – naturalização. Ela tem efeitos somente a partir do momento em que foi concedida e só pode ser transmitida para filhos menores.
| Atribuição | Aquisição |
| A nacionalidade por atribuição é definida como originária. Independente de quando ela seja reconhecida, tem efeitos desde o nascimento e pode ser transmitida para filhos menores e maiores. | A nacionalidade por aquisição é definida como derivada (naturalização). Tem efeitos a partir do momento em que é concedida e só pode ser transmitida para filhos menores. |
Para os filhos menores ou menores, de pai ou mãe com nacionalidade originária, a cidadania será concedida também como nacionalidade originária.
Para filhos menores, de pai ou mãe portuguesa com nacionalidade derivada, será concedida também a nacionalidade derivada.
Para filhos adotados na menoridade, de pai ou mãe portuguesa com nacionalidade originária ou derivada, será concedida a nacionalidade derivada.
Para filhos que tenham sido reconhecidos na maioridade, de pai ou mãe portuguesa com nacionalidade originária ou derivada, será concedida a nacionalidade derivada.
Meu pai ou minha mãe nasceu em Portugal. Posso pedir?
Esse é um dos cenários mais diretos.
Se você nasceu fora de Portugal e é filho de uma pessoa portuguesa, existe a possibilidade de atribuição da nacionalidade.
Exemplo:
pai português → filho nascido no Brasil
ou
mãe portuguesa → filha nascida no Brasil
Mesmo assim, os registros precisam ser conferidos. A certidão do filho deve demonstrar corretamente a filiação, e o registro português do pai ou da mãe precisa estar identificado. Divergências de nomes, casamentos ou questões de filiação podem exigir análise prévia.
E se meu pai ou minha mãe não nasceu em Portugal, mas também é português?
Isso é bastante comum, e na maioria das vezes possível.
Uma pessoa nascida no Brasil pode ter reconhecido a nacionalidade portuguesa. Nesse caso, é necessário entender qual é a natureza dessa nacionalidade e quais efeitos ela produz para os filhos.
A nacionalidade originária produz efeitos desde o nascimento, enquanto a nacionalidade derivada é valida apenas do momento da concessão em diante. Por isso, a data em que o pai recebeu o Cartão de Cidadão ou Passaporte não basta para definir o direito da geração seguinte.
Meu pai ou minha mãe tirou a cidadania depois que eu nasci. Tenho direito?
Esse caso precisa de análise.
A pergunta principal é:
o pai ou a mãe reconheceu a nacionalidade originária ou adquiriu a nacionalidade derivada?
Se seu genitor for descendente de português e tiver reconhecido a cidadania por essa via, você poderá solicitar a sua nacionalidade portuguesa também.
Se seu genitor adquiriu a nacionalidade portuguesa, existem regras e requisitos específicos que devem ser analisados caso a caso.
Lembrando que existem aplicações diferentes também para filhos adotados e para filhos reconhecidos na maioridade.
Portanto, não é correto aplicar a mesma regra a todos os filhos.
Filho de português tem limite de idade?
Na modalidade de atribuição para filhos de portugueses nascidos no estrangeiro, ser adulto não elimina, por si só, a possibilidade.
A idade ganha importância diferente quando o pai ou a mãe adquiriu a nacionalidade depois do nascimento do filho.
Há formulários oficiais diferentes para maiores e menores de 18 anos e para cada caso específico.
O português precisa ter declarado o nascimento do filho?
Não necessariamente.
Se o português não aparece como declarante na certidão brasileira, isso não significa automaticamente que o processo seja inviável.
É preciso verificar:
- quem declarou o nascimento;
- quando ocorreu o registro;
- como a filiação foi estabelecida;
- se os pais eram casados;
- se houve reconhecimento posterior.
O ponto central é comprovar juridicamente a relação entre o português e o requerente.

Precisa transcrever o casamento do português?
Depende.
Casamentos realizados fora de Portugal podem precisar ser transcritos, especialmente quando precisamos comprovar a filiação apresentada no processo.
Antes de fazer a transcrição, é importante entender:
quem é o português, quem declarou o nascimento do filho, quando ocorreu o casamento e como a filiação aparece nos registros.
Quando os pais não foram casados e a mulher que transmite a nacionalidade portuguesa, provavelmente a transcrição será necessária.
No caso em que ambos os pais sejam portugueses, a transcrição possivelmente precisará ser feita.
Fazer procedimentos sem analisar o caso pode gerar custo e atraso desnecessários.gos, analisar divergências ou realizar procedimentos anteriores ao pedido.
O que mudou na cidadania portuguesa para filhos em 2026?
A Lei Orgânica n.º 1/2026 entrou em vigor em 19 de maio de 2026 e alterou diferentes regimes da nacionalidade portuguesa.
Para filhos de portugueses nascidos no estrangeiro, porém, a modalidade de nacionalidade continua disponível.
Quem tem pai ou mãe portuguesa e cumpre os requisitos aplicáveis pode continuar solicitando o reconhecimento da nacionalidade.
As mudanças reforçam a importância de consultar informações atualizadas, principalmente porque conteúdos antigos podem misturar modalidades diferentes.
Quais documentos são necessários?
Entre os documentos exigidos estão:
Do requerente:
- documento de identificação;
- certidão de nascimento;
- declaração aplicável ao pedido.
Do pai ou da mãe portuguesa:
- certidão de nascimento portuguesa ou identificação do registro em Portugal.
Também pode haver necessidade de Apostila da Haia, tradução juramentada ou outros documentos, dependendo do caso.
Antes de emitir tudo, vale conferir:
pai/mãe português → filho requerente
e verificar divergências de nome, data, local de nascimento, estado civil e filiação.
Analise primeiro, emita depois.
Esse cuidado ajuda a evitar retrabalho e gastos desnecessários.
Quanto custa a cidadania portuguesa para filhos em 2026?
O emolumento oficial para procedimentos de atribuição de filho maior é atualmente de €175. A atribuição de cidadania portuguesa para filho menor é gratuita.
Já para filhos de portugueses naturalizados, o valor para filho maior é de 250 euros, e para filho menor é de 200 euros.
| Atribuição | Aquisição |
| Filho menor = gratuito | Filho menor = 200 euros |
| Filho maior = 175 euros | Adotado/Reconhecido = 250 euros |
Além disso, podem existir custos com:
- certidões;
- Apostila da Haia;
- traduções juramentadas;
- reconhecimento de assinaturas;
- transcrição de casamento;
- retificações;
- homologação de sentença: divórcio, adoção ou reconhecimento
- pesquisa genealógica
- envio de documentos;
- honorários de assessoria.
O valor total varia conforme a situação documental de cada família.

Quanto tempo demora?
Não existe prazo único garantido.
A duração pode variar conforme:
- local de processamento;
- volume de pedidos;
- documentação;
- eventuais exigências;
- necessidade de atos prévios.
Na Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa os pedidos de nacionalidade portuguesa para filhos que estão sendo analisados atualmente (setembro/2026) foram protocolados em fevereiro de 2022, no caso de filhos maiores, e em junho de 2025, no caso de filhos menores.
No Arquivo Central do Porto os pedidos de nacionalidade portuguesa para filhos que estão sendo analisados atualmente (setembro/2026) foram protocolados em maio de 2025, no caso de filhos maiores, e em novembro de 2025, no caso de filhos menores.
Podemos concluir que o processo de nacionalidade portuguesa para filhos demora de 1 a 4 anos. Por isso, estimativas devem ser usadas apenas como referência e não como promessa de conclusão.
| Conservatória dos Registos Centrais de Lisboa | Arquivo Central do Porto |
| Maior – fevereiro 2022 | Maior – maio 2025 |
| Menor – junho 2025 | Menor – novembro 2025 |
Preciso morar em Portugal para pedir como filho?
Não. A cidadania portuguesa para filhos nascidos no estrangeiro não exige mudança para Portugal.
O pedido pode ser apresentado pelos canais admitidos pelas autoridades portuguesas: presencialmente, por correio ou online quando houver representação por empresa com advogado habilitado em Portugal.
Como começar?
Antes de pedir documentos, organize quatro informações:
1. Quem é o português?
É seu pai ou sua mãe? Nasceu em Portugal ou reconheceu a cidadania depois?
2. Qual é o registro português?
Localize o assento de batismo ou de nascimento e confira nome, data e cidade.
3. Como sua filiação aparece?
Veja quem declarou seu nascimento e se existem divergências.
4. Existe algum procedimento anterior?
Pode ser necessário avaliar transcrição, reconhecimento de filiação ou correção documental.
Mesmo com apenas duas gerações, os processos não são todos iguais.
Perguntas frequentes sobre cidadania portuguesa para filhos
Meu pai/mãe não tem cidadania portuguesa. Posso pedir como filho?
Não. Para utilizar diretamente a modalidade de filho, um dos seus pais precisa ser português.
Se o português da família é seu avô ou bisavó, existe a modalidade própria para netos ou uma estratégia envolvendo a geração intermediária.
Meu avô português morreu. Ainda posso tirar cidadania?
Sim. O falecimento do avô não elimina as possibilidades da família.
Mas, se ele é seu avô e não seu pai ou mãe, o caso deve ser analisado como neto, ou você deve reconhecer primeiro a cidadania do seu pai ou mãe.
Quanto custa a cidadania portuguesa para filhos?
O emolumento oficial para requerentes maiores atualmente varia de €175 a €250, além dos custos documentais e eventuais procedimentos específicos.
Quanto tempo demora?
Não existe prazo único garantido. Mas em média, tende a levar 2 anos.
A tramitação depende do órgão responsável, documentação apresentada, volume de pedidos e eventuais exigências.
Posso passar a cidadania para meus filhos e cônjuge?
Sim. Depois do seu reconhecimento, seus filhos podem solicitar a nacionalidade portuguesa para eles.
O cônjuge utiliza uma modalidade diferente, sujeita aos requisitos específicos de casamento ou união estável.
Preciso ter sobrenome português?
Não. O sobrenome não interfere no direito. O que importa é comprovar juridicamente a filiação.
Se eu tirar a cidadania portuguesa, perderei a brasileira?
Não. Brasil e Portugal admitem múltiplas nacionalidades, e brasileiros que reconhecem a cidadania portuguesa continuam sendo brasileiros.
Bisneto ou trineto também tem direito?
Depende da estrutura da família.
Pode ser necessário que uma geração anterior reconheça primeiro a nacionalidade ou verificar outra modalidade aplicável ao requerente.
Quanto maior a distância geracional, mais importante é analisar a linha antes de definir quem inicia o processo.
Preciso morar ou viajar para Portugal?
Não. O processo pode ser apresentado a partir do exterior pelos canais disponibilizados pelas autoridades portuguesas.
Posso solicitar sozinho?
Sim. Existem canais oficiais para apresentação do pedido pelo próprio interessado, mas casos com divergências, filiação mal estabelecida, transcrição ou dúvida sobre a modalidade correta exigem atenção maior antes do protocolo.
Ter uma assessoria especializada para te guiar durante todo o processo faz total diferença.
A Travessia Cidadania conta com uma equipe especializada em nacionalidade portuguesa e você pode nos contatar clicando aqui:
Filho de português pode ser considerado português desde o nascimento?
Sim. Na modalidade de atribuição da nacionalidade originária para filhos de portugueses nascidos no estrangeiro, a pessoa será considerada portuguesa desde o nascimento.
Isso é relevante inclusive para a transmissão da cidadania às gerações seguintes.
Pai ou mãe portuguesa precisa estar vivo?
Não existe requisito legal exigindo que o progenitor português esteja vivo no momento do pedido.
O essencial é comprovar:
quem era o cidadão português e qual é a filiação do requerente.
O falecimento pode mudar a documentação necessária, mas não elimina automaticamente a possibilidade.

